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Quem faz a Música? > Músicos e Letristas
Hailton Portugal é pianista, tecladista, arranjador, produtor e diretor musical.
Natural de Cruzeiro, cidade localizada no Vale do Paraíba, no estado de São Paulo, ele é entrevistado pelo Maestro Sergio Valério.
Confira e conhecerá mais sobre esta bela carreira!

01.  Quando a Música surgiu em sua vida?
 
R. Minha casa sempre foi "musical". Minha mãe era pianista, meu pai tocava violão, e sempre havia amigos reunidos para saraus. Meu bisavô paterno, Alfredo Reis, foi bombardinista e maestro da banda de música "União dos Artistas", muito famosa na época. Meu tio-avô, Ariovaldo Reis, o Nenzinho, foi um grande saxofonista e maestro de orquestras dos Cassinos da Urca, no Rio de Janeiro, e da Pampulha, em Belo Horizonte-MG. Como vêem, minhas influências e paixão pela música vem desde sempre.

 
02. Como foi o seu caminho de estudos para o seu aperfeiçoamento?
 
R. Comecei estudar piano muito cedo, por volta de 4, ou 5 anos de idade. Porém, minha mãe veio a falecer quando eu tinha 7 anos, e desde então, até minha adolescência, não tive contato com nenhum instrumento. No final da década de 60, por influência dos Beatles, Festival de Woodstock, e outros, resolvi participar de um conjunto musical, e fui tocar contrabaixo. Aprendi com um violão que meu pai me deu. E assim se deu minha iniciação. Segui pesquisando, e tentando aprender, apesar das dificuldades daqueles tempos, tanto quanto a material para estudo, quanto para a aquisição de instrumento. E segui intuitivamente até convidar para a banda em que eu tocava naquela época, o Apollo VI, dois dos melhores músicos que conheci, o Lico, trompetista, maestro da Banda Santa Cecília, e o Mazinho, saxofonista. Essa dupla formava um dos melhores naipes de metais da região, o que me levou a começar a estudar Teoria Musical, para poder escrever os arranjos para a banda.
 
Os responsáveis, e mentores dessa iniciação, foram esses dois grandes músicos, e amigos, especialmente o Lico, que me apresentou a Métodos de Solfejo, Escrita Musical, grades de regência e partituras para vários instrumentos, com afinação específica. Sempre serei muito grato a eles.
 
Em meados da década de 70, a convite do Maestro, cantor e produtor Sérgio Valério, fui para São Paulo integrar suas bandas, o SV Som, e posteriormente o Magia Negra, cuja influência, e convívio com outros grandes músicos, me levaram à  busca de aperfeiçoamento musical. Foi nesse período que, na Escola Paulista de Música, fiz cursos de Arranjo, Composição e Regência, Harmonia e Prática de Conjunto.

 
3. O que você diria para quem quer iniciar os seus estudos na Música?
 
R. Para quem quer começar a estudar música, costumo dizer que, a única condição indispensável é a vontade. Todo o resto se ajeita. Idade não é impedimento, tempo se arranja, enfim, tudo pode ser acomodado, basta ter vontade para isso.
 
Se é para ter a música como profissão, estudo é indispensável. Intuição é essencial, mas só leva o músico até um determinado ponto. Daí para a frente, o desenvolvimento musical só se dá com estudo, aliado à prática.

 
   
4. Você poderia citar alguns músicos que você gosta de ouvir?
 
R. Gosto muito de ouvir as Big Bands dos anos 40. Aprendi a apreciar esse tipo de música por influência de meu pai, que era um apaixonado por Glenn Miller, Tommy Dorsey, Harry James, Duke Ellington, Count Basie, e outros. Continuo apaixonado por isso até hoje. E a essa turma, se juntaram outros músicos e bandas, de vários estilos, como Oscar Peterson, Chick Corea, Arturo Sandoval, Paquito d'Rivera, Michel Camilo e Gonzalo Rubalcaba, sem falar naquelas influências de minha adolescência: Beatles, Credence Clearwater Revival, Emerson, Lake & Palmer, etc.
 
Por ouvir todo tipo de música, desde sempre, também aprendi a gostar(muito) de música brasileira, o que acabou determinando minhas preferências, como Cesar Camargo Mariano, Egberto Gismonti, Elis Regina, Leny Andrade, Cauby Peixoto, Emilio Santiago, Altamiro Carrilho, Pixinguinha, e tantos outros.

 
 
5. Algum gênero musical o atrai mais?
 
R. Costumo dizer que, para mim, só existem dois tipos de música: a boa e a ruim. E isso podemos achar em todos os estilos, e gêneros. Quanto a rótulos, não os considero importantes.

 
 
06. Tive o prazer de atuar ao seu lado quando o convidei para participar da banda SV Som e posteriormente, no Grupo Magia Negra, que depois se tornou Grupo Magia. Você poderia destacar algum momento marcante daquele período?
 
R. Desde que aceitei o convite para fazer parte dos grupos SV Som, e, posteriormente, o Magia Negra, alguns fatores me marcaram muito. O principal, certamente, foi a convivência com todos os companheiros, nas duas formações. Amizades
 
que prezo muito, e trago muito bem guardadas. Saudade do Jonas(Tadeu Rocha), do Luiz Carlos(Magalhães) e do Amauri(Andrade Franco), que , infelizmente, já não se encontra neste nosso plano físico.
 
Outro fator marcante foi ter minha atenção chamada para a percepção de que talento e grande intuição musical não bastavam. Aperfeiçoamento técnico, que o convívio com o Sérgio Valério, com sua formação acadêmica, o Amauri, que estudava no Conservatório de Tatuí, e o Jonas, que dava aulas de violão, me influenciaram a buscar.
 
Outra coisa que me marcou muito, foram os momentos mais divertidos.
 
Como eu cantava, e usava muito falsete e "voz feminina", situações engraçadas acabavam por acontecer. Devido ao meu tamanho, e à minha grande timidez, "confusões" acabavam acontecendo. Eu nunca era apontado como o da "voz fininha". Foi muito bom ter sido considerado um bom cantor, por outros artistas, e várias outras pessoas com quem a gente se cruzou, pelos caminhos que a música nos levou. Mas, a fase de cantor se encerrou por aí.

 
 
7. Você também atuou com Cauby Peixoto, Leny Andrade, Emilio Santiago, entre outros grandes artistas. Poderia nos contar algumas histórias destas participações?
 
R. Esses artistas me deixaram lições que levo pela vida afora. O Emilio Santiago era um sujeito muito sério publicamente, mas bem divertido nos bastidores. O Cauby Peixoto eu tenho como grande exemplo de artista, pelo grande profissionalismo, e enorme respeito que tinha pelo seu público, e pelos músicos que estavam nos palcos, com ele. Além de ser um ótimo papo. A Leny Andrade é aquela que se poderia considerar a "rabugice" em pessoa. Mas ela pode. Com grande conhecimento musical, pois estudou piano por muito tempo, é muito exigente quanto à forma com que as canções são tocadas.
 
Durante o tempo que morei no Rio de Janeiro, 25 anos, tive a honra de tocar em casas famosas, como o Chiko's Bar e Mistura Fina, fazer piano-bar em clubes, shopping centers e hotéis, assim como, conviver, e trabalhar com grandes artistas, músicos da mais alta qualidade, e em orquestras como a Tabajara, com o Maestro Severino Araújo, a Barrados no Baile, e Orquestra Rio de Janeiro, com o Maestro Antonio Henrique Seixas, a quem tenho a honra de ter como querido amigo, e que me proporcionou a experiência de escrever arranjos para orquestra com formação sinfônica, para cantores e cantoras de África e Europa.

 
 
8. Fale-nos dos seus novos trabalhos, seus shows, entre outras atuações na Música.
 
R. Desde abril p.p., de volta à minha cidade natal, aproveitando para usufruir da "bela aposentadoria pelo INSS",  estou buscando novos espaços para trabalhos, e tenho tido o enorme prazer de encontrar novos parceiros, no caso é uma nova parceira, a Aline Nascimento, grande cantora, cuja atual parceria muito tem me honrado, e que espero que dure muito. Isso, além de estar junto a grandes músicos, como o Julio Bittencourt, o Luciano Bittencourt, o B.J. Bentes e o Dinho Majela, cuja muito querida amizade já dura 50 anos.

 
9. Como você define o atual quadro da Música Popular Brasileira?
 
R. Voltando à questão brasileira, tenho lamentado muito a inversão de valores que tem assolado nossa música. A prioridade da indústria fonográfica, dos formadores de opinião, e mídia, em geral, não é mais a qualidade musical, e sim o resultado comercial determinado por tendências atuais. E isso já se verifica há muito tempo. Tem muita gente com trabalho de altíssima qualidade, e que não tem espaço para mostrar sua arte, por conta de toda essa mercantilização, com muitos efeitos, coreografias, letras medíocres e nenhuma música. E isso, infelizmente,  não acontece só no Brasil, é uma situação mundial. Mas, como todo artista é um resistente, e um resiliente, vamos buscando os espaços ainda abertos  para que possamos apresentar uma música de boa qualidade.

 
 
10. Música já há muito tempo não possui espaço nas escolas. A matéria que ainda resiste é a Educação Artística, mas ela “pretende” abarcar em uma única matéria Artes tão diferentes que tudo acaba sendo abordado superficialmente. O que você pensa sobre isso?
 
R.  Uma coisa que sempre sugiro aos pais, é que (1) coloquem seus filhos, e filhas, para aprender uma arte marcial bem dirigida, porque terão disciplina para aplicar em todos os aspectos da vida, e (2) música, não para serem músicos, mas para serem bons ouvintes, saber distinguir sons de instrumentos, e ter conhecimento para fazer as boas escolhas musicais que resultam desse aprendizado. E nesse aspecto, o ensino da Música nas escolas é fundamental. Ainda sou do tempo em que tínhamos essas disciplinas, cada qual com seu espaço e didática próprios. Era a cadeira de Artes, onde tínhamos aulas de artes plásticas, pintura, escultura, artesanato, etc, com noções da história de cada uma dessas manifestações, e a de Música, onde aprendíamos desde princípios de solfejo e leitura musical, até nossos Hinos, canções populares e folclóricas, e tínhamos a oportunidade de assistir a apresentações de corais, orquestras e bandas. Isso, certamente, nos deu ferramentas para que nos tornássemos bons ouvintes, e, em alguns casos, músicos profissionais. As Artes Plásticas ainda têm nas escolas, algum espaço para seu ensino. Quanto à Música, atualmente esse ensino é muito incipiente. Por tudo isso, sou totalmente favorável à volta da adoção da Música como disciplina a ser ministrada nas escolas, o mais breve possível.

 
 
11. O que Hailton Portugal ainda não fez na Música e que gostaria de fazer?
 
R. Depois de cerca de 45 anos de profissão, já fiz quase tudo o que essa carreira poderia proporcionar, quase sempre coisas muito boas, mas teve algumas nem tanto. Felizmente, foram muito poucas. Adoro fazer, e pretendo continuar fazendo, arranjos e outros trabalhos em estúdios, porém, algo com que tenho pouquíssima experiência, e com o qual ainda gostaria de vir a trabalhar, é com softwares de composição, gravações, utilização de aplicativos, como Pro-Tools, Logic, Cubase, e toda essa gama de recursos que a informática nos permite utilizar.

 
 
12. Que mensagem você gostaria de deixar para os internautas da Fala Maestro – a web revista de todas as Artes?
 
R. Por fim, gostaria de deixar aos internautas da Fala Maestro os meus mais profundos agradecimentos, esperando que este nosso contato dê frutos em forma de visibilidade e audiência para os trabalhos dos artistas que têm neste espaço a oportunidade de falar e expor sua Arte, da qual destaco a minha, que é a Música.
 
Quero agradecer muito especialmente ao Sérgio Valério, pela iniciativa desse trabalho, e principalmente, pela amizade com que sou brindado desde muito tempo, e a quem devo boa parte da motivação para minha dedicação à Música.
 Confira agora alguns links onde será possível ouvir o sempre excelente trabalho musical de Hailton Portugal:
 
 
·       Trabalho realizado no deck do Village Mall, um importante shopping do Rio de Janeiro:
 

·       Participação no Projeto Canjas, idealizado por Osvaldo Montenegro, com a cantora, atriz, compositora, a multi-talentosa Verônica Bonfim:


·       Projeto Canjas, com Verônica Bonfim e o percussionista, compositor Leo Mucuri:


·       Projeto Canjas - A Influência do Jazz (Hailton Portugal e Léo Mucuri)


·       Apresentações no Clube Naval (Rio de Janeiro):

·       Pois é, imaginem viver a vida em paz. - Hailton Portugal









 
 
 
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