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Fala, Maestro! > Parte 3
A MÚSICA NA ESCOLA

Faz tempo que a Música não é mais uma disciplina que faz parte da grade curricular das escolas públicas, o que é uma pena.
Pode até parecer irreal para quem tem hoje até 30 ou 40 anos, mas havia uma matéria chamada “Música” para quem estudava em uma escola pública.
O professor ou professora de música oferecia conhecimentos musicais que iam desde as aulas sobre história da Música, gêneros musicais e até o aprendizado básico da escrita de notas musicais.
Era importante? Não tenho dúvida. As aulas ofereciam, mais que tudo, uma reflexão sobre a Música e a sua importância no contexto da vida das pessoas.
Os alunos cantavam. Não só os hinos, mas canções populares e folclóricas, o que fazia com que todos tivessem acesso a um tipo de música que não tocava nas emissoras de rádio ou mesmo que não eram ouvidas e assistidas em programas de televisão.
Os alunos aprendiam a ouvir e discutiam sobre Música.
Quando os festivais de música popular surgiram, as pessoas discutiam sobre a qualidade musical da obra que participava do festival, tanto em relação à melodia como à letra.
Geraldo Vandré era o preferido pelos jovens que contestavam o regime militar e se viam representados nas letras deste compositor, na força de suas ideias revolucionárias que combatiam a forma de governo que havia no Brasil.
Outros se encantavam com as ricas melodias e com as letras bem trabalhadas escritas por outros compositores.
A Música fazia parte das discussões familiares. A Bossa-nova. A Jovem Guarda. O Tropicalismo.
O país respirava Música. Edu Lobo, Chico Buarque, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Sergio Ricardo e muitos outros compositores surgiam com uma musicalidade tal que as suas músicas eram ouvidas e assobiadas nas ruas das cidades.
Por que a Música era tão forte na vida do país ao ponto de uma canção como “Pra não falar que não falei de flores”, de Geraldo Vandré, mexer de forma tão intensa com o povo brasileiro?
É claro que havia a questão política. Porém, tenho certeza que as aulas de Música, dadas por tantos professores apaixonados pela Música, foi fundamental para esta crescente evolução e conhecimento musical de toda uma geração.
Ficam aqui as minhas reflexões sobre a importância da Música e como ela poderia contribuir para um novo Brasil.
A fusão de todas as Artes nas escolas foi denominada de Educação Artística, mas acho que não foi uma boa ideia.
Os professores que davam aulas de Música tiveram que complementar sua formação para poderem continuar a lecionar nas escolas a nova matéria, Educação Artística.
Os demais professores que eram especialistas em outras Artes também se sentiram obrigados a ampliar a sua formação, tornando-se professores de Educação Artística.
O que aconteceu? Professores de Música esforçavam-se para oferecer aulas “ampliadas” no novo conceito da nova disciplina e os professores de outras Artes, tentavam também oferecer as tais aulas de “todas” as artes.
O resultado desta confusão é o retrato das Artes atualmente no Brasil, com pouquíssima ou nenhuma informação oferecida aos alunos sobre Música, Teatro, Artes Plásticas, etc e tal.
Há chance de revertermos?
Eu acredito que sim, da mesma forma que creio que tudo o que vemos e ouvimos hoje em notícias terríveis sobre a corrupção, poderá ser uma referência para um país onde, um dia, a honestidade possa vencer e ser adotada por todos.
O povo brasileiro é correto e anseia por paz, saúde, trabalho, segurança e outros itens tão fundamentais para uma vida de qualidade.
Mas, a Música também é um desejo nacional e ela um dia voltará a frequentar as salas de aulas para trazer mais sensibilidade.
Afinal de contas, quem frequenta as escolas hoje, será aquele que conduzirá o país amanhã.

Um forte abraço!

Maestro Sergio Valério
 
 
 
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