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Fala, Maestro! > Parte 1
Cantar a melodia ou improvisar sobre ela?

Muitos cantores e cantoras gostam de improvisar constantemente sobre melodias quando interpretam uma música popular tornando-as em alguns momentos “outras” melodias, alterando toda a concepção das mesmas quando foram criadas pelos seus compositores.
No jazz é comum que o intérprete, não somente o cantor, mas também o músico solista, tenha a liberdade de improvisar sobre a melodia quando executa a música pela segunda vez, mantendo a primeira execução praticamente na melodia original.
Porém, hoje em dia, quando assistimos programas onde novos talentos buscam seus espaços em concursos na televisão, a técnica da improvisação sobre a melodia tem passado a dominar toda a interpretação.
A melodia original é quase que completamente alterada, tornando-se “algo” estranho e nem sempre de bom gosto.
Parece que hoje muitos consideram que “improvisar” sobre uma melodia é uma qualidade fundamental para um intérprete ser considerado um bom cantor ou uma boa cantora.
Esta é uma grande cilada onde você que quer se tornar um (a) grande cantor (a) não pode cair. Achar que improvisar sem nenhum cuidado dará a você a avaliação de ser um bom intérprete.
Há algum mal em improvisar? Acredito que, com os devidos cuidados, pode ser algo a ser agregado positivamente à performance, porém se a improvisação for mais presente do que a própria melodia referência, algo está por se tornar ilógico.
Vejamos o porquê. Se o cantor ou cantora optou por interpretar aquela música, criada por aquele compositor, nada mais justo do que entender que a sua opção foi por achar de boa qualidade a melodia. Se não fosse assim, teria escolhido uma outra melodia, certo?
Imagine se fôssemos ler um livro e resolvêssemos alterar os textos do autor, substituindo-os por outros? Como seria a leitura desse livro?
E no caso de um filme? Começamos a assistir o filme e em nossa mente alteramos em vários pontos os diálogos do filme. Parece absurdo? E é.
Você pode dizer que a música permite esta improvisação e eu vou concordar, é claro, mas eu diria que não se deve exagerar nestas improvisações.
Percebo que os cantores e cantores, durante a interpretação de uma música, são “seduzidos” com a ideia de alterar uma nota musical aqui, outra lá, quase que pretendendo dar o seu “toque” pessoal na melodia.
Sedução é assim mesmo, se nos distrairmos, ela toma conta de nós, porém é preciso bom senso para não mergulhar numa sequência infinita de improvisações que podem ir desde a multiplicação de notas em um final de uma palavra ou mesmo em “vôos” ousados que fazem a melodia original ficar “escondida” dentro dos acordes do violão, do piano ou do arranjo musical de uma banda.
E então? O que achou desta questão de cantar a melodia ou improvisar sobre ela?
A ideia foi despertar a sua atenção para que a reflexão esteja sempre presente quando você for interpretar uma música.

Maestro Sergio Valério
 
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