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Quem faz a Música? > Músicos e Letristas
O baixista Jorge Pescara integrou recentemente a banda da cantora Ithamara Koorax. Gravou com Dom Um Romão, Luiz Bonfá, Paulo Moura, Eumir Deodato, José Roberto Bertrami, Celso Fonseca, dentre muitos outros, mostrando em todas as participações todo o seu talento.
 
Agora ele está lançando seu terceiro CD solo, o "Grooves in the Eden", que sucede o brilhante "Grooves in the Temple".
 
Produzido por Arnaldo DeSouteiro e lançado internacionalmente pela gravadora Jazz Station Records, de Los Angeles, o CD ganha distribuição no Brasil via Tratore, e é totalmente inspirado na combinação de elementos de jazz, rock, pop, funk, r&b e música brasileira.
 
Jorge Pescara foi entrevistado pela nossa web revista de todas as Artes, Fala Maestro. Vamos conferir?

01. JORGE PESCARA, em que cidade e estado você nasceu?
R. Nasci em Santo André, São Paulo.

02. Quando o contrabaixo surgiu em sua vida?
R. Desde pequeno sempre tive conexão com a música em casa, por conta dos discos que meus país e tios sempre ouviam. Na adolescência comecei a perceber que o baixo (ou antes, as frequências graves - risos) me chamavam mais a atenção. Sempre ouvi de tudo, pois desde pequeno minha casa era ponto de encontro da família pra ouvir os discos de música clássica do meu pai, os discos da Tropicália da minha mãe, os do Roberto Carlos da minha tia e os dos Beatles do meu tio, além de alguns discos de Rock. Mas, por volta dos 14 anos me aprofundei no Rock de forma mais direta, então, Kiss, Van Halen, The Who, Rush, Yes e Genesis, disputavam minha atenção. Nesta fase "percebi" o baixo e sua importância para a música.

03. Como foi o seu caminho de estudos para o seu aperfeiçoamento no contrabaixo?
R. Cursei a FASCS onde conclui o curso em 1990, depois fui pra ULM e a EMM. Na FASCS tive 4  anos de aulas com Lineu Passeri Jr (engenheiro e músico), que me deu toda a base necessária pra partir pra vôos mais altos. Neste mesmo tempo tive três ótimos anos de estudos de fretless com o Claudio Bertrami. Por volta de 1991 me inscrevi e entrei na ULM onde estudei por quase três anos com a Gê Cortez, enquanto corria dalí pra EMM onde estudei contrabaixo acústico com o Sandor Molnar. Tive também aulas particulares com o mestre do contrabaixo acústico, Nicolaus Tchevtchenko, antes de partir pro Rio de Janeiro onde estudei com Arthur Maia (falecido recentemente).

04.Quais são todas as funções de um contrabaixo em um arranjo musical?
R. O baixo é da maior importância musical, pois (sem ser redundante) ele proporciona o fundamento, a base, o chão, onde a harmonia, a melodia e a rítmica desfilarão seus argumentos. Como disse Sting em uma entrevista para a revista norte americana Bass Player em 1991: um acorde só será Dó se eu tocar a tônica, de outro modo, eu posso inverter a nota grave e mudar a função do mesmo.

05. O que você diria para quem quer iniciar os seus estudos no contrabaixo?
R. O mesmo pra quem quiser iniciar em outros instrumentos ou áreas da música: prepare-se interiormente para suportar muitas horas de estudos e práticas solitárias, horas e horas à fio de pesquisas musicais, sonoras e timbrísticas. Mas, acima de tudo, persevere, tenha obstinação, busque uma voz pessoal (alguma assinatura pessoal que te identifique, que te diferencie dos demais). Estude muito escalas, arpejos, acordes (em todos os tons), mas também muita rítmica e harmonia, e com o passar dos anos aprofunde-se em contraponto, composição, arranjo, orquestração. Busque os melhores professores que encontrar e invista na sua carreira musical com alma e coração!
 
Porém, tão importante quanto estudar as ferramentas musicais, rogo para que lembrem de pesquisar e estudar e apreciar Arte em geral. É, no mínimo, estranho trabalharmos na área artística e não saber reconhecer as outras artes. Há excelentes obras que dissertam sobre a Historia das Artes, os grandes Mestres, os escritos Gregos, a Arte Sagra e a Arte Barroca, os períodos históricos com sua rica expressão, os folclores locais, regionais e tradicionais, etc. A obra Literária Brasileira, Portuguesa, os grandes Poetas... há um leque interminável de opções para não nos ficarmos com uma visão limitada e estreita da vida.
 
06. Você poderia citar alguns contrabaixistas que você gosta de ouvir?
R. Sempre fui ligado a tudo na música, pralém do baixo e dos baixistas... Mas, claro que tenho alguns que sou fanático (risos)! Dentre estes posso citar: Jaco Pastorius (óbvio!), Ron Carter, Eberhard Weber, Tony Levin (King Crimson, Peter Gabriel, StickMen trio, solo), Chris Squire (YES), Mick Karn (Japan - solo), Percy Jones (Brand X), Marcus Miller, Michael Manring... Há muitos!

07. Algum gênero musical o atrai mais?
R. Gosto muito do progressivo clássico setentista, mas hoje o que me atrai bastante é a fusão da World Music com o Rock e a Jazz Fusion.

08. Fale-nos dos seus novos trabalhos.
R. Este disco mais recente (Grooves in the Eden - Jazz Station records / Music Magick), é a sequência lógica do meu primeiro álbum (Grooves in the Temple - Jazz Station records / Voiceprint UK), onde faço uma releitura "World Fusion" de composições que marcaram época, junto com composições inéditas minhas e de amigos. Uso essencialmente os baixos elétricos (fertless, 4, 5 e 6 cordas, upright e baixolão) e tenho a participação de grandes músicos. O resultado foram dois discos que misturam a Fusion tradicional  de Jazz com o Rock, somados a elementos da Música Brasileira e da World Music e seus detalhes étnicos. No entremeio a estes dois discos há um que funciona como um contraponto (Knight Without Armour - Voiceprint BR) que é um álbum conceitual onde uso o touchbass e o touchguitar (que são instrumentos de 12 cordas (uma mistura de baixo com guitarra), cuja a técnica empregada pra serem tocados é o touchstyle, muito parecida com a técnica de pianística, sendo que neste caso usamos as pontas dos dedos pra bater nas cordas, extraindo a sonoridade desejada. Neste cd eu empreguei elementos da Fusion somados ao Progressive Rock, elementos da Música Clássica Contemporânea e uma pitada de Música Eletrônica.

09. O que você ainda não fez na Música e que gostaria de fazer?
R. Há um universo infindável na música... Uma pergunta complexa pra mim, que sou um pesquisador de timbres, sons, técnicas, instrumentos... (risos) Quero fazer tanta coisa ainda, como explorar o contraponto, cânone, harmonias modais, estudar Música Clássica Contemporânea, trabalhar com poliritmia, dodecafonismo e principalmente, prosseguir minhas pesquisas sonoras com instrumentos diferentes e dispositivos de efeitos.

10. Que mensagem você gostaria de deixar para os internautas da Fala Maestro – a web revista de todas as Artes?
R. Gostaria de agradecer a oportunidade de expressar minhas opiniões musicais e pedir que os internautas que gostem de Cultura que ajudem a divulgá-la. Não digo de forma política, pois cada um tem todo o direito de ter suas preferências, mas defendendo o maior tesouro que todos temos. Espalhem para todos que puderem sobre a necessidade e os benefícios que a Cultura e a Arte trazem a um povo. Não só a música, como artes plásticas, filmes de Arte, contos, os grandes filósofos, esculturas, arquitetura, poesia, as grandes peças de teatro, os grandes ballets, enfim... Não podemos mais conviver com a contracultura e ficar parados com a massificação do entretenimento em detrimento total da Arte e da Cultura (com maiúsculas)! Pesquisem, estudem e vejam por sí próprios quais as diferenças da arte de hoje (na verdade o tal entretenimento de massa) e a Arte verdadeira. Um povo não sobrevive sem Cultura!

Ouça on line:
 
https://open.spotify.com/album/0TU96LKfvWvKrcRonfoawH
 
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