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Fala, Maestro! > Parte 1
A Música e o Músico

Sergio Valério

É isso mesmo. A Música exige de nós o máximo. É como uma pessoa ciumenta. Tudo para ela ainda é pouco, mas em contrapartida, nos faz viver este grande amor, deixando em nossos lábios e corações um incrível e saboroso gosto doce da paixão…
É por isso que nós nos entregamos a ela como se nos atirássemos em um abismo onde o final seja talvez um acorde especial, um compasso desconcertantemente apaixonante que faz com que a baqueta toque o prato como se fosse um pingo de chuva a tocar uma nuvem no céu.
Começamos o relacionamento com a Música timidamente, aprendendo um instrumento ou tentando entoar uma canção e quando menos esperamos, ela já tomou conta do nosso dia, das nossas horas e mais ainda, do nosso pensamento.
Mergulhamos em águas profundas de notas e mais notas, escalas maiores e menores, exercícios e mais exercícios, tentando compreendê-la, mas é uma busca infinitamente vã, pois ninguém consegue entendê-la.
Podemos amá-la, porém será impossível conseguir compreender esta magia que nos abraça e penetra nossos poros, infiltra nossas veias e simplesmente, nos arrebata.
Caminhamos por ela em estradas as mais impossíveis de serem trilhadas, cheias de poeira e chuva, por ela percorremos palcos e mais palcos, sentimos lágrimas em nossos olhos ao ouvir aplausos e também nos sentimos golpeados por um profundo punhal ao sentir a dor de um silêncio após uma música apresentada em platéias que nem nos notaram tocar ou cantar.
Nos estúdios, nos apaixonamos com cada acorde, compasso e nos deliciamos ao ouvir o que gravamos e somos capazes de repetir indefinidamente quantas vezes forem necessárias para buscar atendê-la em seus desejos de se mostrar cada vez mais maravilhosa para os nossos ouvidos.
Ela é suprema em seus atos e nos curvamos a todo momento às suas ordens. Quem somos nós para contrariá-la? Que força temos diante de toda a sua sensualidade e poder? Somos quase escravos de sua magia e não nos importamos de assim ser. Queremos mais, mais e mais…
Nossa submissão é tão intensa que por ela nos lançaríamos dos mais altos edifícios de sonhos para nos atirarmos em objetivos improváveis de serem realizados, apenas pelo prazer de tê-la ao nosso lado.
Às vezes nos rebelamos e dela nos afastamos por um tempo, talvez dias, meses, anos, mas será uma inútil tentativa, pois ela voltará para os nossos braços mais amante do que nunca, pois não nos é permitido esquecê-la de verdade.
Podemos até fingir que não a queremos mais, empreender novos rumos, seguir outras carreiras, colocar terno e gravata para tentar colocar algum dinheiro em nossos bolsos, com outras profissões, mas ela permanecerá no fundo dos nossos corações como uma cicatriz que os séculos não conseguirão apagar.
É assim que ela é, a Música. A mulher que faz de seus amantes, aqueles que costumam ser chamados simplesmente de músicos, seus mais loucos e desvairados súditos.
 
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