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Fala, Maestro! > Parte 1
Cantando à luz de velas para Simone

Não vou conseguir me lembrar exatamente o ano, mas me recordo perfeitamente que eu tinha colocado na minha cabeça que eu iria mostrar algumas composições minhas para a cantora Simone.
Ela estava no início de sua carreira do ponto de vista de estar sendo conhecida pelo grande público.
Sei lá como, descobri que ela morava em um determinado bairro de São Paulo. Por incrível que pareça, também não consigo me lembrar qual era o bairro. Seria Moema? Confesso que não me lembro.
O fato é que lá fui eu de violão na mão, carregando os meus sonhos e a vontade de ser ouvido pela maravilhosa cantora Simone.
Cheguei então naquela que, segundo o endereço que eu tinha, seria a casa onde ela morava.
Bati palmas ou toquei a campainha. Alguma coisa assim.
Uma senhora gentilmente me recebeu e disse que Simone em breve chegaria.
Fiquei então à espera. Eu e meus sonhos musicais.
Passado algum tempo, Simone chegou.
Muito atenciosa, me cumprimentou e então eu disse que era compositor, que gostaria de mostrar algumas de minhas composições para ela.
Simone me convidou para entrar. Sentei na poltrona da sala e ela me perguntou se eu me importaria dela tomar uma sopa e, aliás, Simone também me convidou para a refeição.
Eu agradeci e então ela me disse alguma frase parecida com esta:
- Pode cantar as suas músicas. Quero ouvir!
A senhora que havia me atendido trouxe a sopa para Simone. Ela começou a tomá-la.
Eu comecei a tocar a minha primeira música: “Perguntei por você”.
Exatamente neste instante, a luz se apagou. Por algum problema técnico, toda aquela região ficou sem energia.
Simone então acendeu uma ou duas velas.
Continuei a tocar. Complementei a primeira música. Depois cantei “Até um outro dia” e talvez mais duas ou três composições que não me lembro quais foram.
Simone tomava a sua sopa. A luz das velas iluminava esta cena que jamais vou esquecer.
Eu, ainda um estudante da Faculdade de Música, cantando para aquela que já era uma grande estrela, aliás, Simone sempre foi uma grande estrela pelo seu grande talento.
Um grande momento em minha vida.
Depois de cantar várias músicas, me despedi e ela me pediu que trouxesse o que na época era o tipo de material que se usava para se mostrar músicas: - Uma fita K-7.
Por incrível que pareça, eu não levei a tal fita cassete com as minhas músicas gravadas para Simone.
Coisa de artista. Desligado, sem muita organização, deixei passar uma grande oportunidade.
Mas... foram instantes mágicos que marcaram demais a minha vida que estava apenas começando na Música.
Por que resolvi contar toda esta história?
É para você que está iniciando a sua carreira na Música ou em qualquer outra profissão.
Seja emocional, sim. Use a sua criatividade também, mas organize-se. Seja lógico quando precisar agir desta forma.
Foi muito bom ter utilizado a minha sensibilidade para compor as músicas, mas, faltou o ato prático de gravar as tais
músicas e levá-las para Simone. Quem sabe ela poderia ter até gravado uma delas, não é mesmo?
Como disse Charles Chaplin, é preciso até mais transpiração do que inspiração.
Eu complementaria dizendo:
Para se vencer na vida é preciso: Inspiração, transpiração e... organização.

Um forte abraço!

Maestro Sergio Valério
 
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