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Quem faz a Música? > Músicos e Letristas
 
Em algum lugar no presente

 
Quando decidi ser baterista acredito que a última coisa que pensava era tocar jazz, no entanto, fui como uma flecha em busca do alvo, a vida me levou ao encontro passo a passo, como achar um baú cheio de tesouros.

 
Muitos talvez encontrem a razão para ser chamado de tesouro em algo parecido com ”sucesso popular” (shows, dinheiro, assédio etc..) mas, na verdade foi algo muito mais valioso, pois esse que citei se perde ou é roubado ou muito pior, esquecido. O encontro com o jazz me trouxe a compreensão que a música é maior que tudo e a realização vem da conexão da alma com essa energia poderosa que vibrando nos mantém vivos como uma canção em pleno ar.

 
Com isso encontrei a possibilidade de me expressar, achar uma “voz” no meu instrumento. A bateria tem sua missão de acompanhar, criar o “chão” rítmico para o grupo e aprendi fazendo exatamente isso, tocando para as pessoas dançarem em bailes. Mas depois se abriu uma porta mágica em que Buddy Rich, Max Rouache, Rubinho Barsotti e muitos outros nos mostraram, que o instrumento poderia fazer o papel principal dando o tema e improvisando como qualquer outro.

 
Essa história toda é para ilustrar que essa bateria que apresento para vocês era talvez a última que imaginava ter algum dia e que se tornou uma busca realizada por anos até me encontrar unido: minha maturidade juntamente ao dinheiro para comprá-la.

Uma bateria da marca GRETSCH da década de 1970 ou início de 80 não sei precisar o ano, mas comprei de um colecionador que só tinha peças incríveis em seu estúdio. Foi tudo combinado pela internet e quando sentei nela para tirar o primeiro som foi como um sonho e realmente entendi o valor daquele instrumento que vinha como um histórico impressionante, tinha sido usada no FREE JAZZ Festival realizado em São Paulo trazida pelo baterista Ed Thigpen, que fazia parte do grupo do genial Oscar Peterson e acabou ficando no Brasil.

 
Nosso primeiro encontro foi especial, pois finalmente poderia tocar em um instrumento com a capacidade de projeção e de timbres dos velhos discos de jazz que tanto ouvi. Para você me compreender melhor os instrumentos feitos naquela época se equilibravam, ou melhor, se equalizavam com baixo acústico e piano, então a maneira de tocá-lo é completamente diferente, se não tiver a delicadeza e principalmente um controle muscular acabamos estragando tudo, e até que chegasse a esse ponto o meu início com ela não foi diferente.

 
Passados os primeiros dias em busca do som eu consegui finalmente realizar vários sonhos ao seu lado, um deles foi gravar um CD de DUOS, apenas a bateria e outro instrumento “conversando” e pude transformá-la em alguns momentos em instrumento de harmonia construindo uma base para o solista, o nome do CD é DESLIMITES, mas aí é outra história.

 
Júlio Bittencourt
 
   
 
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